'Short Squeeze IRB' muda de nome e tenta se descolar de prática condenada pela CVM

 'Short Squeeze IRB' muda de nome e tenta se descolar de prática condenada pela CVM

Alteração foi feita para 'CPFs do IRB', de acordo com comunicado, porque administrados perceberam que nome antigo não estava em linha com o 'propósito'. Autarquia destacou na semana passada que ataque especulativo poderia ser caracterizado como crime na Justiça comum

O então grupo "Short Squeeze IRB" no Telegram, cujos membros pareciam dispostos a replicar o ataque especulativo que nos Estados Unidos fez os preços das ações da GameStop dispararem 1.700% apenas neste ano, agora é outro. O antigo nome sugeria exatamente essa ação coordenada, embora em entrevista ao ValorInveste.com seu criador tenha negado incentivar a prática. A intenção, de acordo com ele, era acabar com injustiças e servir de exemplo para o mundo.


Encerrando de vez a contradição, o canal que já conta com mais de 46 mil membros foi rebatizado "CPFs do IRB" faz dois dias. Antes, no fim de semana, já havia acrescentado uma interrogação, deixando no ar a sugestão. "Short Squeeze IRB?".



Em comunicado aos participantes, seu idealizador admite que o nome anterior não casava com o discurso adotado de que não incentivava a compra massiva de papéis da resseguradora de forma a "espremer" (squeeze) grande investidores "vendidos" (short).


"Depois de analisar os últimos acontecimentos, percebemos que nosso novo nome combina mais com nosso propósito", começa o texto.

De fato, não parecia muito claro para alguns participantes que o grupo não defendia ataques especulativos. Vez ou outra, há liberação de comentários de seus participantes. "Rapaz, esse negócio não deu certo porque vocês são tudo frouxo. Tem muita gente falando, falando, e não está comprando nada", reclamou recentemente um dos investidores que lá estão.


"Desde o início, pretendíamos formar um grande exército para proteger nosso investimento dos grandes fundos que em ação conjunta distorcem o mercado sem sequer prestarem satisfação. Em nenhum momento pensamos na possibilidade de atacar, fazendo compras ou vendas coletivas para desconfigurar os preços do mercado, nós não fizemos sugestões de compra ou de venda nos papéis. No entanto a formação deste grupo nos uniu em torno da busca de um mercado mais justo para todos", continua.



Na última quinta-feira (25), na esteira do caso americano, o grupo criado na noite anterior fez barulho. As ações do IRB dispararam quase 18% no dia, liderando o Ibovespa sem nenhuma alteração de fundamentos na empresa que pudesse justificar um salto tão grande.

O papel teve a maior queda entre os componentes do índice no ano passado, de 70%. E vai acumulando novas perdas neste começo de 2021, até aqui na casa de 11%. O gatilho principal do derretimento foram maquiagens detectadas nos balanços financeiros da companhia.


"Short squeeze no IRB? Pode até acontecer, mas não por atuação do nosso grupo. Os acontecimentos dos últimos dias apenas respaldam que os pequenos investidores também existem e tem voz", informa o comunicado do agora "CPFs do IRB".


Na última semana, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avisou que o ataque sugerido no nome do grupo antes da mudança poderia ser configurado como crime até mesmo na Justiça comum. E a bolsa manteve o papel em sucessivos leilões entre sexta (26) e segunda-feira (1º) e, ao liberar, destacou que tornaria a interromper negociações caso identificasse novos movimentos bruscos.


"E a partir de agora nos chamaremos CPFs do IRB, e seguiremos focados no IRB até que suas ações cheguem no valor justo de mercado", avisa o criador do grupo, sinalizando que nova mudança de nome pode vir em breve. "Mas estamos dispostos a ser a voz de outros amigos que também sofrem em outros papéis cujas empresas tenham fundamentos. E no futuro nos chamaremos 'CPFs da B3'. Então, siga conosco, o nome muda, mas ainda somos os mesmos."


Ficaremos de olho por aqui. Buscamos novo contato com o criador do grupo, mas não retornou as mensagens até a publicação desta matéria.


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